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(+) Uma maluca que julga ter juízo

Desabafos e bocados do que vou (vi)vendo...

(+) Uma maluca que julga ter juízo

Desabafos e bocados do que vou (vi)vendo...

AAAHHHH, as férias

Já acabaram e o regresso ao trabalho tem custado mais do que posso descrever. Não paro de pensar nos passeios de bicicleta, a pedalar por 45m pela terrinha, a subir e a descer, naquele cenário tão especial. Andar de kayak com as minhas pequenas, fazer stand up padle... É assim que gosto de praticar desporto, ao ar livre, sempre a desafiar os meus limites, a tentar superar-me. Soube-me bem, valeu a troca de horários de sono, com conversas tardias, estar às 2h da manhã na conversa como se fossem 20h00 tal o calor, rir-me com as minhas pestes como se não houvesse amanhã. Jantar constantemente às 22h00, alegremente, a aproveitar as conversas tolas que o pessoal ia tendo. Ficar encantada e de sorriso no rosto por receber uma resposta inesperada da minha crush de juventude (é para isto que temos o face, certo, para reencontrarmos amigos que a vida afastou). E o ter ido conhecer Aljezur em 3 dias?! A melhor coisa que poderia ter feito. Fiquei apaixonada. Fazer surf “à séria” (pena a minha lesão ao final do primeiro dia), conhecer pessoal novo, ficar alojada num dos melhores Hostels em que já estive, rir-me às gargalhadas com a nossa nova companheira, jantar aqueles manjares do céu, apanhar a bebedeira do ano (fiquei num tal estado que garante que a narda anual está feita), conversar com a minha N. sobre a vida e perceber porque ficámos tão próximas apesar de a sua relação ter acabado. Até as infindáveis horas para cima e para baixo, a conduzir e a ser conduzida, não fizeram mossa no meu humor. Agora é aguardar por mais 2 dias para a festa e pronto, darei por terminado o final do verão… Se bem que ainda tenho a sensação de que ainda muita água irá correr. Veremos.

Férias de 2015

Com o final das férias de verão percebi que já não me apetece deixar aqui o relato do que foi. E não é por não ser digno de memória, simplesmente já passou, já era. Foi bom, óptimo (e super cansativo, com níveis de stress máximo) mas já não sinto necessidade de explanar isso aqui. É uma fase minha diferente. Foram férias que deixam aquele gostinho a “quero mais”, onde saudades foram colmatadas e onde notícias várias comprovaram o ano de fecho que ciclo que eu sinto estar a ser.
Agora é o regresso a casa e aos dias de surf. Venham eles.

Dia 9

Domingo, ultimo dia era suposto irmos à Prainha, como não foi possível, ficámo-nos por Ipanema! Um dia de praia no rio é mesmo algo de outra dimensão. Comprei biquínis, comi Açaí, bebi caipis, comemos milho cozido, tudo sem sair do lugar. Só viemos embora porque eu tinha um avião para apanhar. Avião esse que graças ao trânsito corri o risco de perder. Mas ainda assim, não resisti em passar no Shopping para provar uns gelados com recheio de leite creme, divinalmente calóricos. Isso e as pipocas com manteiga para o voo. Deu para rir, arriscar perder minutos preciosos para comer porcarias, bem eu.
O momento da despedida estava fácil, fui a primeira do grupo a vir embora, estava a aguentar-me bem… Até que a tia desata aos prantos. Conter as lágrimas aí ficou difícil mas ainda consegui. Difícil foi ver o meu fofo (o pequenito da prima) a correr para dentro do local de embarque quando percebeu que eu vinha embora… foi de partir o coração.
Entrei no avião de coração a abarrotar, afinal realizei o meu sonho, as minhas altas expectativas foram todas excedidas, vi gente linda… Vá ok, gente não, homens, vi muito homem lindo, gostoso, maravilhoso! Estive no paraíso e sei que vou regressar. Tive momentos de felicidade plena e que foi sentida a 100%. vivi o momento e recarreguei as baterias que precisava, as emocionais.

O Rio de Janeiro é, de facto, uma cidade maravilhosa…

Dia 8

Sábado, ainda combalida, não prescindi de levantar cedo, deixar a mala pronta e mesmo assim, partir para mais uma caminhada. Não podia partir de ilha grande sem ver uma das praias mais belas do Brasil. Devo dizer que foi bem difícil fazer esta caminhada, como o sol resolveu abrir em todo o seu esplendor pelo segundo dia, a humidade entre a vegetação aumentou e respirar era um custo. Isto, juntamente com a desidratação que tinha fez com que fosse penoso caminhar 1h. Chegadas à praia das palmas, e como o tempo era apertado, resolvemos apanhar um táxi boat até à praia do pouso, o último ponto acessível de barco até conseguirmos chegar à praia Lopes Mendes. Lá fomos nós, sempre a desfrutar daquela paisagem surreal, em 20 minutos deparámo-nos com o areal de perder de vista, com areia fina como fuba que a minha família pisa, areia que assobiava. Fizemos uns filmes debaixo de água, tirámos uma foto e regressámos. Chegada a “casa” foi tomar banho e seguir para apanhar o barco que nos levaria de volta para Japareí. No regresso, voltámos a perder-nos o que possibilitou a visita por fora à Mangueira, Tijuca e ver o Maracanã ao nosso lado. A ideia era ir ao arpoador para o final da tarde, mas não conseguimos. Era a minha última noite mas não me importei de ficar por casa na conversa, o corpo já não aguentava o cansaço.

Dia 7

Sexta feira, após a risota e o pequeno almoço, toca de ir para o cais apanhar o barco para o passeio que iríamos fazer. E que passeio! Fruta, caipi água e sumo à descrição, paragem para almoço numa praia surreal, passagem pela lagoa azul (onde andava a nadar e a fugir dos peixes como o diabo da cruz). Passeio maravilha, quase perfeito, não fosse a minha paragem de digestão que fez com que o resto do dia eu me mantivesse a meio gás. Ainda aguentei chegar a casa, depois de uma breve passagem pela praia no final da tarde, mas por volta da hora de jantar já não deu para aguentar, tinha levado o meu corpo ao limite! O resto da noite foi deitada, ora na cama, ora na rede ao ouvir o barulho dos animais, um momento muito meu, muito especial, apesar de doloroso. Ainda deu para rir pelo inusitado da situação que aconteceu à tia quando eles chegaram e contaram… Só visto!

Dia 6

Quinta feira a ideia era acordar às 8h para fazermos a trilha da cachoeira da feiticeira. Eram 09h50 estávamos a começar a tomar o pequeno almoço. Mas tudo tranquilo, desfrutámos do comer, com aquela vista, ai aquela vista… começámos a caminhada eram 12h00 aproximadamente. Descobrimos uma primeira cachoeira, deixámo-nos ficar, ate que vimos que havia outra à frente, a uma distancia de 3km (1h30)… Fizemo-nos ao caminho e em 45m lá chegámos ao destino. O primo e a tia ficaram para trás, loucos com os macacos e a fauna. Saímos da cachoeira linda, seguimos para a praia onde comi o melhor sacolé da viagem. Para ser mais rápido, toca de apanhar um táxi boat de regresso à vila e fomos ter com o resto da família. Resto do dia, mais compras, mais comida, mais passeio e mais gente gira, aliás, muita gente gira. Na hora de dormir, um pouco antes sessão improvisada de fotos, saltos na areia e cansaço, muito cansaço. Que foi interrompido porque sabíamos estar a ouvir um bicho no quarto.. identificar o dito é que estava dificl… passamos a noite a tripar com aquele som e a tentar saber de onde vinha. Foi preciso o dia seguinte para a Claudia nos explicar que os morcegos são abundantes e as vezes entram por brechas do telhado, ficando por lá.. não estão no quarto, mas nós podemos ouvir como se estivessem lá dentro. Mais um momento de risota.

Dia 5

Quarta de manhã, nem me dei ao trabalho de ir para a cama. Fiquei na conversa com o primo enquanto fazíamos tempo para o resto do pessoal se levantar e preparar. Rumo a Ilha Grande. Viagem feita a dormir, cerca de 2h. Apanhar um susto quando chegamos ao local onde iria ficar o carro estacionado e ver que tudo tinha um aspecto duvidoso, mas mesmo assim, sem stress, ou como eles dizem, Tranquilo. Apanhamos o fast boat e fizemos a travessia. Acho que dificilmente me vou esquecer desse primeiro impacto ao ver a ilha, mesmo num dia nublado, linda que só ela. Deixamos a I. na pousada dela e seguimos para a nossa. O medo ia aumentando ao ver a decadência de algumas pousadas, fez-me questionar se tinha valido a pena… até que encontramos a nossa… em 5 minutos percebi que tinha feito a escolha certa, aquilo sim, era o paraíso. Para coroar o momento, a Claudia era portuguesa e gerente da Pousada. Um à vontade imediato, instalamos e fomos directos para o bar na praia, junto à água, comer e beber enquanto as ondas vinham ter aos nossos pés… divinal. Resto da tarde a passear pela vila, a ver as lojas e a fazer o que fazemos melhor, comer e beber.

Dia 4

Terça feira foi a única manhã em que nos deixamos ficar um pouco mais a descansar. Quando acordámos decidimos que seria o dia de visitar o Cristo redentor e aproveitar e comer as gulodices enviadas pela avó. Fomos de táxi até lá, subimos pelo trem do corcovado, passeio delicia, apesar do tempo a mudar novamente e a sentir a trovoada a aproximar-se, foi um passeio bem bonito. De facto, a altura faz com que o mesmo Cristo que o nosso tenha um impacto imenso sob a cidade. Tirámos as fotos da praxe e presenciei um momento único. Com o aproximar das nuvens, ouvi o som da electricidade estática a passar perto de nós. Foi indescritível o barulho a aproximar-se e a dissipar-se! Brutal… para provar que não estava a exagerar todos ficaram com os cabelos em pé com tanta electricidade que se fazia sentir. Amei.

Seguimos para jantar no Lopes um frango assado que me ficou a desejar o franguinho Português e já em casa, com convidadas extra, preparámo-nos para ir até à lapa, curtir a noite carioca.
Ao chegarmos de táxi, demos conta com a verdadeira folia democrática da coisa, uma loucura. Realmente a onda é muito bairro alto lisboeta, tem bares com ondas diferentes para as várias tribos. Optámos por um com estilos diferentes. Uma vez mais, era muito homem bonito por lá, um samba ao vivo delicioso, foi só curtir. Deu para ouvir a improvisação de músicos a sério, indescritível. Ao sair deu para ver em primeira fila a discussão entre duas bichas, novela com direito a socos e pancadaria que literalmente 5m depois já era só amor, beijo e braço dado. Só visto. Tirando o cheiro mais nojento que alguma vez senti na vida, foi um momento de espera pelo primo espectacular. Adoro sentir assim a energia real dos locais, sem ter a vibe “zona turística para inglês ver”.

Dia 3

Segunda feira deixámo-nos ficar na preguiça, não valia a pena correr para conhecer tudo pois sabíamos que iria ser um dia pesado, uma noite longa. A tarde poderia ter sido muito melhor aproveitada, não fosse termo-nos perdido ao ir para o centro da cidade de carro! Mas deu para conhecer os subúrbios e o morro do alemão (ainda que de dentro do carro, cheios de medo, já que sabíamos, um carro daqueles é demasiada ostentação). Chegados a lapa, toca de subir a escadaria Selarom, tirar fotos, perceber o real ambiente carioca (e as privações que grande parte da população tem) ouvir o verdadeiro samba, e a T. levar com um f.v.n.i. (fruto voador não identificado) que caiu da árvore e bateu no braço no preciso momento em que passamos; uma nódoa negra pró resto da viagem.
Entrámos no carro, directos ao restaurante Garota da Urca, com uma vista divinal onde várias postas de picanha foram devoradas em meros minutos.
Regressámos a casa e começamos os preparativos para o momento em que eu, apesar de tudo, não acreditava que estava para acontecer. De táxi, seguimos até à Marquês de Sapucaí, levantamos os bilhetes após alguma procura, fomos tomar a bela da caipirinha antes da festa, ouvir o pagodinho que se havia formado frente ao boteco bola 8, se a memória não me falha, e entrar no sector 10. Devo dizer que mal me sentei as lágrimas apareceram. Foi surreal saber que estava mesmo ali. A vista da apoteose com a favela atrás, por estranho que pareça, era linda! Aquela imagem ficará para sempre no meu coração. E depois de hora e meia de espera, onde compramos o nosso quilo de frutas de forma inusitada, ouço a ser apresentada a São Clemente. A partir daí foi cantar os samba enredos em conjunto com quem sabia, perceber que a visão era muito melhor que eu imaginava, ter o primeiro impacto do que é um desfile destas escolas de samba. Escusado será dizer que nunca, jamais, em tempo algum, vou conseguir voltar a apreciar um carnaval em Portugal onde o conceito seja a tentativa irritante de imitar estes. Estamos a anos-luz de distância. Enfim. Com tempos de intervalo que mal deram para recuperar da escola que tinha acabado de passar, começou uma das escolas que mais ansiava ver. A portela, linda e maravilhosa, com a imponente águia branca mascarada de Cristo redentor, toda a marquês a cantar e acompanhar a bateria, a incentivar e aplaudir a passagem bem-sucedida e a gritar “é campeã” no fim. Foi o verdadeiro espectáculo, é o tipo de sensação que só estando lá para entender. Seguiram-se as escolas Beija-Flor, União da Ilha, Imperatriz Leopoldinense e por fim, Unidos da Tijuca. De apontar que o desfile da União da ilha foi muito bom, rimo-nos muito com o enredo e as alas das escolas, foi o verdadeiro desfile carnavalesco (com a sua branca de neve preta e gordinha). E a unidos da Tijuca… ai a unidos, se há escola de samba que sabe transmitir uma boa energia é essa. Eram 4h da manha quando começaram, eu já tinha estado sentada de olhos fechados durante o desfile da imperatriz, cheguei a adormecer por meros segundos, tal era o cansaço… Mas a meio não resisti, a energia da Tijuca era tal que me levantei e dancei e cantei um pouco mais. Ainda fui brindada pelo milagre da noite, quando o carro alegórico do willy wonka brindou-me com o que gosto de apelidar como “presentinho do céu”, um chocolate. Milagrosamente o canhão disparou um mesmo na minha direcção, era para mim aquele chocolate, sem hipótese de outra pessoa agarrar. Fiquei com um sorriso de orelha a orelha. Quando terminou, a sensação de que as férias não precisavam de mais nada para serem perfeitas tinha-me inundado. Até hoje ainda sei de cor todos os sambas enredos que mais gostei . Durante o táxi até casa só conseguia sentir-me grata por tudo o que estava a viver… só me tinha esquecido que ainda íamos a meio.

Back to reality

E pronto, o sonho terminou! E que sonho... Estive a ponderar registar cada dia em papel o que se ia passando para não me esquecer de nenhum detalhe mas os momentos foram de tanta agitação que não tive sequer vontade. Transformei-me em esponja e a minha única preocupação era sentir tudo, vivenciar tudo que me fosse possível no momento em que aconteciam.

Desde o primeiro minuto em que levantei da cama na madrugada de sábado, soube que seria o inicio de algo especial. Após tudo preparado, chegar ao aeroporto e despachar as malas sem qualquer contratempo (29kg em cada uma é dose) decidimos tomar um pequeno-almoço fora dali, tinha 1h30 de espera até inicio do embarque. O local que calhou, o café “a menina do rio” deu azo a muita risota entre mim e a mummy. Sabia que aquilo só poderia augurar coisas boas. Entrei para o avião, tudo ok, tempo de espera entre escalas a enviar mensagens via wi-fi para quem me aguardava. Ao entrar no Boing, a melhor surpresa do dia dos namorados… Iria ter direito a 4MB de net durante a viagem (pobre fica feliz com tão pouco). Fui utilizando para dizer o tempo esperado de chegada e que estava a ser um óptimo voo. E foi, de facto. Dormi pouco, mas vi 3 filmes. Coincidência ou não, todos eles tinham como tema o final da vida. Comecei pelo “The Judge” ao inicio custou a prender, mas a meio já só queria ver como terminava. Segui para o “The Best Exotic Marigold Hotel” e o que gostei deste filme, do leve que é e da visão de que até ao último minuto estamos vivos. Mas “la pièce de resistance” foi uma animação que nunca sequer tinha ouvido falar na vida… Pus-me a ver por mero acaso, queria desanuviar do tema morte, ver algo leve que não me remete-se para quaisquer tristezas e toca a clicar no filme “The book of life”. Em 5 segundos percebi que tinha a ver com o dia dos mortos, no México. Revirei os olhos mas deixei-me ver. Passou automaticamente para um dos meus filmes favoritos de animação de sempre! Claro que fiz a restante hora do filme a chorar que nem uma perdida, completamente sensibilizada pelo final do filme e as frases proferidas. Não me consegui abster da perda tão recente o que fez com que a minha entrada no rio, a primeira visão da cidade maravilhosa tenha sido feita de lágrimas nos olhos, lágrimas de saudade, de dor no peito, de raiva por ter essa sensação agridoce num momento tão esperado. Foi preciso estar dentro do táxi, com a tia e a N. em euforia e a ver o carro serpentear pelo trafego caótico que começou a cair a ficha… Eu tinha chegado ao rio!
Ao chegar a casa, cumprimentar a família, instalar tudo, comer algo e sair para ver as vistas. O local escolhido, praia de Ipanema. Devo dizer que não é toda a gente que mal chega tem a praia de Ipanema repleta de pessoal do morro que tinha descido para curtir o carnaval! Deu para sorrir enquanto à nossa volta centenas de pessoas, num estado já avançado de bebedeira, iam-se divertindo, dançando e conversando animadas. Infelizmente, como a prudência falou mais alto, preferimos afastar-nos daquele ambiente, afinal éramos 3 gajas “bouas sozinhas ali no meio. Fomos para o arpoador, onde a água verde-esmeralda àquela hora da noite deixou-me embasbacada. Molhamos os pés e fiquei triste por não ter levado um biquíni para poder mergulhar e sentir aquela água feito sopa. Não demorámos muito, os relâmpagos que se mantinham distantes durante toda aquela hora começavam a aproximar-se, uma visão espectacular. Apanhamos o táxi e rumamos a casa já tinham começado a cair algumas gotas que iniciaram a chuva tropical que caiu toda a noite.