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(+) Uma maluca que julga ter juízo

Desabafos e bocados do que vou (vi)vendo...

(+) Uma maluca que julga ter juízo

Desabafos e bocados do que vou (vi)vendo...

Este texto servirá como um lembrete futuro a mim mesma

Engraçado como um texto pode deixar-me triste por alguém! Engraçado como posso rever momentos da minha vida espelhados no que outro alguém escreve e é impossível ficar indiferente, impossível calar.

Vivi a maior parte da minha vida a chorar pelo que me havia acontecido. Coisas com a sua importância e o seu quê de traumático, verdade. O auge chegou aos 21 quando a dor começava a ser em demasia. Expus a quem achei que fossem meus amigos, um pequeno grupo de 3, 4 no máximo o que sucedia. Contava as histórias e até aos 24 acreditava, mas acreditava mesmo que não era merecedora de nada melhor. Tinha a vida que merecia porque era má pessoa. Só podia, que outra explicação poderia existir quando tudo o que era mau teimava em acontecer-me. Cheguei ao ponto de já nem desabafar com as minhas amigas, a minha C. do coração, pois ela olhava para mim, na sua eterna sabedoria, e dizia que não conseguia compreender-me, pura e simplesmente não conseguia compreender como é que a auto-estima de alguém poderia chegar ao nível -1. E fechei-me, fechei-me porque achava que iria cansar os outros com os meus lamentos de sempre.

Foi isso que fez um clique pela primeira vez em mim. Se os lamentos são os mesmos, se os queixumes mantêm-se e se achamos que os outros podem cansar-se de os ouvir, talvez de uma outra perspectiva sejam somente manhas… Talvez dentro de tanta dor (que sim é real) ultrapassamos a barreira e tornamo-nos vitimas! E qual a vitima que não dramatiza?!?
Temos tendência a achar o termo “dramatização” negativo, ou pelo menos eu tinha. Ouvir alguém dizer ”estas a dramatizar” geralmente era o mesmo que ouvir “pára de ser piegas”. Mas o facto é que dramatizar torna-se mais outro problema. É fácil fecharmo-nos na concha de vitima e desistir de tudo, é mais cómodo ver o mundo desabar do que arregaçar as mangas… Mil vezes mais fácil. E foi ao aperceber-me desta pequena diferença, que surgiu a vontade de não dramatizar. O que já foi, já foi, fez parte mas não poderá influenciar-me para todo o sempre. E com esta pequena mudança de perspectiva tenho vindo a mudar.

 Claro que é um processo moroso (afinal os 21 já foram há 7 anos) mas como já antes escrevi, nunca na vida me senti tão bem comigo mesma por fora e por dentro. Chorei, meu deus o que chorei, até perceber que estava na hora de deixar de ser piegas, que o importante é mesmo agarrar o momento em que decidimos ir para a frente, deixar lá atrás o que nos pesa. Parar, respirar e distinguir aquilo que trazemos connosco porque é nosso ou aquilo que trazemos connosco por convenção/imposição. É o primeiro passo. E nunca este passo pode ser dado correctamente sem que nos conheçamos. Foi esta a razão de me conhecer a fundo, primeiro frequentando uma psicóloga e agora tomando outro rumo, mais independente… é o meu rumo e tem funcionado.

Assim talvez fique claro que o que realmente importa é tomar um rumo na vida e stick to it por mais que às vezes custe. Porque nós temos da vida aquilo que acreditamos merecer. O truque é lembrarmo-nos que merecemos o melhor, sempre. Pelo menos é esta a grande lição que a vida me tem mostrado, a ferros mas lá percebi.

O que é que eu estava à espera?!

Dois anos da minha vida foram passados a conhecer uma pessoa, a estabelecer um elo demasiado forte para ser explicado. Durante dois anos adormeci e acordei a pensar nessa pessoa, temi pela sua vida, preocupei-me genuinamente. Senti o retorno da preocupação e do sentimento. Senti a dor que a distância física provoca, senti o coração arranhado quando me apercebi que o melhor seria distanciar-me de vez. E tentei, tentei arduamente, mas o universo assim não o quis e voltou a juntar-nos. E mesmo quando depois de mais um ano distante, mas ainda assim perto, apercebi-me que estava na altura de deixar ir de vez. Não deixei de sentir o carinho e amor que tanto nos caracteriza.

Com tanto sentimento não poderia esperar que, do dia para a noite, deixasse de me preocupar. O contacto efémero (e necessário) às vezes magoa-me, muito pela minha necessidade de controlar. E é dessa necessidade de controlar e da sensação de que não o posso fazer que as lágrimas aparecem. Só por isso! Porque sinto-me perdida e por momentos esqueço-me que foi este o caminho que escolhi. Por momentos tive medo de que as lágrimas tivessem outro significado, mas sei que não, cá dentro é claro como água. No final é simples, muito simples. E talvez seja devido a essa simplicidade que a sensação desaparece tão rápido como chega. A dor, a confusão, o desalento são passageiros. E só consigo verificar isso, porque após meses de aprendizagem, começo a saber identificar pequenas nuances da minha pessoa. Detalhes que são tudo, que me confirmam que o caminho é este. Dói, ainda irá doer porque não sei se a distância física irá tornar-se algo maior (e perder acima de tudo um amigo dói, custa). Mas sobre isso não tenho controlo algum… E deixo ir, liberto mais um bocado.

Diz que a vida é isto, ir aprendendo a melhorar. Só me resta ir aprendendo, melhorando a cada momento e enxugar as lágrimas que também fazem parte do aprendizado, que também fazem parte da vida.

Ontem

Primeiro dia de sol, bonito que dá gosto, em algum tempo, daqueles que eu queria mesmo muito usufruir e recarregar as minhas baterias, que tanto preciso... Fico em casa, fechada a dormir horas a fio e a recuperar de mais um indicio de gripe!

Oh sorte...

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