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(+) Uma maluca que julga ter juízo

Desabafos e bocados do que vou (vi)vendo...

(+) Uma maluca que julga ter juízo

Desabafos e bocados do que vou (vi)vendo...

Back to reality

E pronto, o sonho terminou! E que sonho... Estive a ponderar registar cada dia em papel o que se ia passando para não me esquecer de nenhum detalhe mas os momentos foram de tanta agitação que não tive sequer vontade. Transformei-me em esponja e a minha única preocupação era sentir tudo, vivenciar tudo que me fosse possível no momento em que aconteciam.

Desde o primeiro minuto em que levantei da cama na madrugada de sábado, soube que seria o inicio de algo especial. Após tudo preparado, chegar ao aeroporto e despachar as malas sem qualquer contratempo (29kg em cada uma é dose) decidimos tomar um pequeno-almoço fora dali, tinha 1h30 de espera até inicio do embarque. O local que calhou, o café “a menina do rio” deu azo a muita risota entre mim e a mummy. Sabia que aquilo só poderia augurar coisas boas. Entrei para o avião, tudo ok, tempo de espera entre escalas a enviar mensagens via wi-fi para quem me aguardava. Ao entrar no Boing, a melhor surpresa do dia dos namorados… Iria ter direito a 4MB de net durante a viagem (pobre fica feliz com tão pouco). Fui utilizando para dizer o tempo esperado de chegada e que estava a ser um óptimo voo. E foi, de facto. Dormi pouco, mas vi 3 filmes. Coincidência ou não, todos eles tinham como tema o final da vida. Comecei pelo “The Judge” ao inicio custou a prender, mas a meio já só queria ver como terminava. Segui para o “The Best Exotic Marigold Hotel” e o que gostei deste filme, do leve que é e da visão de que até ao último minuto estamos vivos. Mas “la pièce de resistance” foi uma animação que nunca sequer tinha ouvido falar na vida… Pus-me a ver por mero acaso, queria desanuviar do tema morte, ver algo leve que não me remete-se para quaisquer tristezas e toca a clicar no filme “The book of life”. Em 5 segundos percebi que tinha a ver com o dia dos mortos, no México. Revirei os olhos mas deixei-me ver. Passou automaticamente para um dos meus filmes favoritos de animação de sempre! Claro que fiz a restante hora do filme a chorar que nem uma perdida, completamente sensibilizada pelo final do filme e as frases proferidas. Não me consegui abster da perda tão recente o que fez com que a minha entrada no rio, a primeira visão da cidade maravilhosa tenha sido feita de lágrimas nos olhos, lágrimas de saudade, de dor no peito, de raiva por ter essa sensação agridoce num momento tão esperado. Foi preciso estar dentro do táxi, com a tia e a N. em euforia e a ver o carro serpentear pelo trafego caótico que começou a cair a ficha… Eu tinha chegado ao rio!
Ao chegar a casa, cumprimentar a família, instalar tudo, comer algo e sair para ver as vistas. O local escolhido, praia de Ipanema. Devo dizer que não é toda a gente que mal chega tem a praia de Ipanema repleta de pessoal do morro que tinha descido para curtir o carnaval! Deu para sorrir enquanto à nossa volta centenas de pessoas, num estado já avançado de bebedeira, iam-se divertindo, dançando e conversando animadas. Infelizmente, como a prudência falou mais alto, preferimos afastar-nos daquele ambiente, afinal éramos 3 gajas “bouas sozinhas ali no meio. Fomos para o arpoador, onde a água verde-esmeralda àquela hora da noite deixou-me embasbacada. Molhamos os pés e fiquei triste por não ter levado um biquíni para poder mergulhar e sentir aquela água feito sopa. Não demorámos muito, os relâmpagos que se mantinham distantes durante toda aquela hora começavam a aproximar-se, uma visão espectacular. Apanhamos o táxi e rumamos a casa já tinham começado a cair algumas gotas que iniciaram a chuva tropical que caiu toda a noite.

...

Era para escrever como estou nervosa, impaciente, ansiosa e contente por faltar um dia para realizar este sonho de vida, irrealizável há alguns anos… Mas não seria verdade, estou calma, zen, sem grandes ansiedades. Não me reconheço. Tenho um voo de 13h00 pela frente e não fico minimamente excitadinha, não percebo. Acho que é tudo só e apenas negação, puro estado de negação.

É do caraças isto!

E embora soe a menina mimada e egoísta

A verdade é que esperava mais de ti. Depois de 3 semanas sem qualquer notícia e uma vez mais ser necessária uma mensagem de minha parte, um “eh pá, sinto muito” ou “estás bem?” ou até um “Qualquer coisa estou aqui” teria bastado. Para mim um “os meus pêsames” não foram suficientes. Soaram-me a distanciamento e a verdade é que deixou-me triste. Poderá até ser impressão minha, drama meu, mas a verdade é que bem sabemos que quando estas sensações se começam a apoderar é porque algo de errado está a acontecer. Vou dar tempo ao tempo e deixar que me mostre a minha razão ou não. Afinal, para mim a amizade ou é para os bons e maus momentos, ou não é, deixando de ter razão para ser… A ver vamos!

Passar do 80 ao 8 em menos de nada

Na sexta-feira ao cair da noite rumámos a norte, viagem feita em plena tempestade. Teimei com a família de que iriamos passar o fim-de-semana lá acima. Os planos não estavam bem definidos mas sabíamos que seria bom.

Sábado de manhã, depois de acordar com alguma preguiça, tomar um pequeno-almoço tardio rumámos à Serra. Um passeio com risota como há muito não tínhamos, com o susto de não poder seguir caminho graças à informação do GNR, à qual rapidamente arranjámos solução. Sair do carro, tirar fotografias, divertir-me a valer, voltar, comprar licor de castanha que é maravilhoso, dar um pulo ao museu do pão para comer algo e regressar a casa. Jantar com o meu petiz, até tarde e voltar para a cama cansados mas felizes.

Domingo, comer, partir e parar em Fátima, porque podíamos, porque queria fazer o agrado à mãe e para aproveitar para comprar uma lembrança a quem sempre desejou visitar este local e não pode. Chegar a casa, pôr-me frente à tv com uma manta a aquecer-me e descansar. Estava feliz por ter tido momentos tão bons. Adormeci com um sorriso e nem a péssima noite de sono, em que estive constantemente a acordar, me tiraram a boa disposição.

Até que, já no trabalho, fui brindada com uma das piores notícias possíveis. Escrevo isto, 3 dias depois e ainda estou incrédula. Lá fui eu ajudar a tratar das burocracias ( é fodido ser a única no momento com capacidade para tal) fazer algumas ligações a dar a notícia, ficar encarregue de escolher o caixão, escolher-lhe a ultima roupa… Uma segunda-feira para esquecer.

Ontem, a necessidade de afastar-me da situação foi mais forte. Desliguei dentro dos possíveis, abriguei-me na negação, mesmo enquanto ultimava preparativos com a funerária. Foquei-me em coisas mais positivas, até voltei a pensar um pouco na viagem da próxima semana. Tudo porque sei que hoje o pesadelo regressa. A partir de hoje será tudo real e a verdade é que ser o suporte para alguns familiares não é nada fácil.
Que ela me dê forças…

...

Vi um arco-íris hoje, lindo, pequeno aqui em frente à  janela do trabalho, tão perto que me era possivel ver o pote de ouro. Durou uma questão de segundos, aquela sensação de que tinha de olhar pela janela e lá estava ele, 40 segundos, no máximo, e não tardou em desaparecer.
Dizem que o arco-iris é o inicio do fim da chuva e a promessa de amor a caminho (por ter desaparecido tão rapido). Se é verdade não sei, aqui estarei para descobrir, mas foi bom ter uma lembrança de esperança numa altura tão negra… e quem sabe, foi enviado para mim, especialmente para mim… Gosto de acreditar que sim.

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