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(+) Uma maluca que julga ter juízo

Desabafos e bocados do que vou (vi)vendo...

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Mudar a perspectiva

Falava agora mesmo com a minha amiga do coração sobre a fase em que me encontro. Tentava, em vão, explicar que não é porque não tenho um anel na minha mão que aquilo que eu sinto (e que sinto que sentem por mim) deixe de ser válido. Tentava explicar que estou numa posição diferente na minha vida e que não estou cega de amor.

Apercebi-me durante o discurso que estou mais forte, mais segura, mais eu. E tornou-se claro como a mudança de perspectiva em relação à vida pode alterar profundamente uma pessoa.
Claro que toda esta jornada não teria sequer iniciado se não fossem as sessões de terapia. Precisei dessa base para melhor me perceber, melhor identificar (e separar) os traumas que eu tenho e melhorar a minha auto-estima. Apercebi-me que a vontade de querer conhecer-me e respeitar os meus sentimentos pode abrir um novo leque de emoções. Deixei de ver toda e qualquer relação com o outro por fora, e sim aquilo que eu queria realmente daquela pessoa. Em relação a família, amigos e amor. Hoje em dia noto que me afastei (ou venho a afastar) de algumas pessoas de forma muito natural. Não me apetece fazer o frete de estar com alguém, não estou, deixo-me de preocupar tanto com o “certo” ou “não fica bem”.

 

Em relação ao amor, tudo isto tomou uma nova amplitude. Paro, ouço o meu coração e faço poucas perguntas simples:


Ele respeita-te?

Ele gosta de ti?

Ele demonstra-o?

Ele faz-te feliz?

 

E uso apenas isto como base para a pergunta definitiva:

 

É isso que quero?

 

Invariavelmente, a resposta tem sido sim. A partir daí, se me apetece ligar, não quero saber o que ele vá achar, o que o mundo irá achar, ligo. Se me apetece pedir mimo, peço. Se quero beijá-lo, beijo. A única preocupação é saber se ele quer. Como sei que sim (até agora tem sido) não preciso de mais nenhuma outra questão que me vá derrubar e deixar no limbo da incerteza, do medo e da insegurança. Aprendi a abraçar as condições de sermos obrigados a viver a vários quilómetros de distância, sem confirmações de quando nos vemos ou como.
Deixo-me ir nesta maré, enquanto não começarem a surgir questões que me façam ver que já não vale a pena.

Para isso a minha postura mudou de forma simples. Ouvir-me! Afasto os burburinhos dos outros, as imposições dos outros, os traumas ou certezas alheias e deixo fluir aquilo que o meu coração realmente quer. E tem dado certo, muito certo.

Geralmente, quando penso numa das minhas inseguranças, em vez de sair a espingardar comentários (geralmente baseados em ilações erradas) penso no que estará em falta em mim para que eu haja de tal forma (isto claro, quando o outro lado nada fez para que me sinta tão incomodada). Outro exemplo que posso dar é, ao invés de chorar “porque ele não me responde à mensagem”, pensar no porquê de eu necessitar assim tanto que essa mensagem chegue?! Será que esse sentimento de segurança terá mesmo de partir dele, ou de mim própria?!

A diferença é olhar para dentro e a partir daí melhorar-me a cada dia.

No fundo, acho que toda esta experiência de vivermos um amor é apenas e só a descoberta de nós mesmos. Se assim quisermos, podemos ir descortinando aquilo que nos faz bem, que nos sabe bem e afastar tudo o que sobra - O resto, é resto. Claro que o bom senso também terá de ser usado, mas no fundo a ideia é esta, ouvir-me. Geralmente tenho sempre razão.

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