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(+) Uma maluca que julga ter juízo

Desabafos e bocados do que vou (vi)vendo...

(+) Uma maluca que julga ter juízo

Desabafos e bocados do que vou (vi)vendo...

Enfrentar medos

Estou a 24h de enfrentar um dos meus medos e ao mesmo tempo um dos meus maiores fascínios. Viajar sozinha. Vou para o outro lado do mundo, de mochila às costas para aprender mais. Aprender sobre a vida, sobre outras culturas, aprender sobre uma outra religião e acima de tudo, aprender sobre mim. Faltam 24h para entrar naquele avião e saber que vou a caminho de uma viagem que me vai transformar. Será impossível ser a mesma depois disto pelo simples facto de ser este o momento para serem tomadas “life-changing decisions”.
Vou regressar e dar início a uma fase de reboliço na minha vida, vou virá-la de cabeça para baixo para ter a certeza daquilo que deverá continuar a fazer parte e aquilo que deverá ser afastado para sempre. E ainda assim, com tudo isto, o medo está aqui. Desde esta manhã que uma sensação de medo se apoderou de mim, um nervoso miudinho que me lembra de todas as vozes contraditórias a esta viagem. E aqui tem sido um aplicar todos os exercícios que tenho vindo a aprender para silenciar este burburinho que me quer amedrontar.

Estou preparada, é agora, estou pronta para a maior loucura da minha vida até à data e sei que será um sucesso. Até ao meu regresso.

O compromisso que assumi

De há uns tempos tenho vindo a ficar cansada desta vida sem qualquer valor que vejo acontecer dia após dia a minha volta. Estamos todos demasiado entretidos com os problemas pessoais para sequer levantar a cabeça e querer procurar uma solução real. Corremos atrás de sonhos irreais e materiais sem sequer dar conta que esse não é o caminho. Hoje em dia temos uma ferramenta poderosíssima em mãos para procurar informação e comprovar por nós mesmos aquilo que é real ou não.
Em tempos achei que devia ter cuidado com a internet porque a informação é tanta que facilmente poderia cair no erro de seguir a informação errada. A partir do momento em que entendi que os média nunca (ou raramente) nos dão a informação de forma total e imparcial comecei a pesquisar e a abrir todo e qualquer link com a mente aberta - o mundo transformou-se. O que aprendi tem-me levado a crescer em diversos sentidos, tem-me tornado mais humana e deu-me a certeza de que é proposital este status quo, esta vontade de que não sejam colocadas questões que realmente importem.
Demasiadas pessoas seguem o script da vida, trabalham num trabalho que detestam, convivem e desenvolvem relações interpessoais com pessoas que não gostam, deixam de realizar sonhos profundos para pertencerem ao grupo, ao nicho que idolatram, que acreditam ser melhor. Porquê?

Actualmente, tem sido uma luta manter-me no trilho do que é espectável da minha pessoa. Não me consigo identificar com a grande maioria do que vejo por aí e fico realmente triste quando alguém que me é querido está tão embrenhado em questões secundárias que não consegue olhar para o real problema.

Então resolvi tentar mudar, aos poucos, certas atitudes. Já há muitos anos que não vejo telejornais, já há muitos meses que a minha televisão só se liga para ver certos desenhos animados (e infelizmente dois programas realmente maus já que os EUA são exímios neste tipo de programação e eu não consigo recusar), estou mais empenhada em chamar à atenção todo aquele que tenta mascarar qualquer forma de preconceito de piada, parei de utilizar o facebook de forma tão egocêntrica proveitosa, por cada post com alguma coisa leve, alguma piada ou gatinhos bonitos tento partilhar pelo menos o dobro de verdadeira informação, de denúncia de casos que estão a acontecer a cada segundo, de formas de poder melhorar a humanidade, ainda que a passos mínimos. Tenho mais ânsia de debater questões pertinentes e já não suporto questões superficiais, ver publicidade de marcas, carros, vestuário, por exemplo, tornou-se um suplicio. Começo a afastar-me de quem prefere se manter ali, na mesmice. Agarro-me com unhas e dentes a todos os amigos que vejo que têm esta ânsia de crescimento.
Foi este o compromisso que assumi comigo mesma, o de fazer o que estiver ao meu alcance para me tornar todos os dias um ser humano melhor, de ajudar quem me rodeia a se melhorar também mesmo que seja com pequenos pedaços de sabedoria, pequenas inspirações que surgem das formas mais inusitadas.

Colocar os pontos nos i's

Passei a maior parte dos 29 sozinha. Isto é, sem nenhum envolvimento amoroso. Não me tinha dado conta de que isto aconteceu por opção até começar a escrever estas palavras. Apesar de muitos à minha volta me questionarem e brincarem sobre eu arranjar alguém, no inicio do ano, e eu responder que sim, que estava para breve, a verdade é que a curto prazo eu sabia que estava melhor sozinha. Eu precisava ficar sozinha! Precisava digerir a informação e todos os acontecimentos dos últimos 3 anos. E sem querer, esta pausa serviu para saborear melhor aquilo que eu tenho de momento. Foi um ano em que me entreguei aos chamados pequenos prazeres… Pequenos que, para mim, são os maiores. Nunca antes me senti tão próxima da família. Talvez a partida dela me tenha impelido a esta posição, talvez seja da maturidade, mas só agora sinto o que é realmente apreciar os meus, enquanto ainda aqui estamos reunidos. E a quantidade de almoços, jantares e ajuntamentos… Insana. A minha agenda bombou como nunca antes, disso não me posso queixar. Foi um ano em que entendi com uma clareza, nunca antes tida, atitudes de terceiros. Onde segredos foram descobertos, onde eu perdoei de coração quem não teve coragem para ser verdadeiro (ou pelo menos, inteiro, só mostrando aquilo que convinha). Foi um ano em que entendi que estou em paz caso o meu destino não seja absolutamente nada daquilo com que sonhei em tempos. Percebi que isto de viver é uma jornada, uma descoberta muito maior do que acordar, pagar contas, arranjar dinheiro e parir. Percebi que toda a minha vida via este processo da forma errada. Estando num emprego “perfeito” para uma grande maioria à minha volta, percebi que o meu futuro não passará por isto. Não sei quanto tempo mais vou-me deixando ficar mas estabeleci um limite. Os 29 ensinaram-me a amar-me, a valorizar-me e, principalmente, a não assentar por algo que não corresponda ao mesmo nível em que me encontro. Ah, também aprendi o significado, o valor, do casamento!

Não sei o que o futuro me reserva, não quero fazer grandes planos onde todo o meu destino está traçado. Apontei apenas numa direcção e tenho a certeza de que é a melhor escolha... E se não for, bem, só tenho de apontar numa direcção diferente sempre que bem entender.

Feliz Natal

Tenho a certeza que a viagem me fará mudar. Vou regressar outra depois disto, sinto-o tão certo...
Começa a cair a ficha, até aqui limitei-me a organizar a viagem mas não me estava a perceber do que ela acarreta!
Prevejo dias de sentimentos intensos, muita emoção. Comecei assim o ano e assim vou terminar.
2015 foi espetacular e só desejo que 2016 continue a ser esta sucessão de bons acontecimentos.

Também isto é sinal de maturidade

Se antes, ao descobrir uma verdade chorava e esperneava e sentia-me miserável e triste porque, como boa pessoa que sou, não merecia o mal que a vida teimava em mostrar, e que a vida é injusta e coitadinha de mim, e ao meu deus a auto comiseração, hoje em dia tento perceber a minha cota-parte de culpa na criação da ilusão e assumo. E em vez de chorar e espernear e deprimir por ser uma coitadinha, acho que é apenas uma maçada lidar com gente que não cresce. E sigo caminho, percebendo que há sempre duas partes numa história, há sempre dois pontos de vista e duas realidades distintas. A questão é esperar por alguém que saiba assumir também, a sua parte de culpa… Esperar, portanto, por alguém que crescido.

Esta jornada que, acima de tudo, tornou-se num modo de estar

Há um ano cortava com o velho eu. Há um ano decidi que estava na hora de assumir o meu eu. Há um ano não imaginava que uma vontade baseada, primariamente, no cansaço que é lidar com o próprio cabelo me levasse a descobrir um pouco mais de mim. Sem querer, fez-me questionar a minha origem, o porquê de eu ter o meu cabelo como algo tão negativo. Fez-me questionar como os nossos gostos são influenciados e ditados pela sociedade em que nos inserimos e de forma tão subtil. Fez-me perceber que me identifico com todos os negros que não compreendem porque raios não temos mais bonecas negras à venda. Fez-me revirar os olhos a cada vez que vejo um creme desfrisante e porque raios temos esta necessidade de “embranquecer” tudo. Há um ano não imaginava que os fios de cabelo no chão fossem deixar tanto de mim no passado. Há um ano não poderia sequer imaginar nos passos que a opção de cortar o cabelo me fariam dar. E só por isso percebi que o cabelo sendo só cabelo, que cresce, pode ser muito mais que mero cabelo. Pode ser uma arma que te ajuda a expandir a visão do mundo, a quem quiser realmente analisar o que está além do óbvio.

Hoje em dia o meu coração sorri ao ver cada vez mais mulheres/meninas de cabelo afro assumirem o que tem. Passear na rua e ver como surgem faz-me pensar que esta pequena revolução é uma real libertação para tantos/tantas. E fico feliz por sentir-me um pouco mais livre para ser eu mesma num mundo cada vez mais igual.

Autêntica

Ganhei este vício e não dá para mudar. Antes calava-me, colocava-me no papel de coitadinha, não defendia os meus pensamentos para não causar ondas. Deixava que tudo fica-se em paz sem me aperceber que estava apenas a dar vazão a que a outra parte achasse que me vergava. Isto não me incomodava muito até perceber que nas diferentes perspectivas da história, eu tenho direito em querer demonstrar a minha. E hoje em dia bato o pé até que a outra parte me escute. Chamam-me teimosa quando tudo o que quero ouvir é um “compreendo o teu ponto de vista”. Não forço a que me aceitem mas sim que me oiçam e esta minha nova forma de estar ficou bem latente na viagem. Dei o meu ponto de vista sempre e não deixei nunca que algo que me incomodasse ficasse a remoer cá dentro “para bem da boa onda” e foi o melhor remédio. Os stresses que aconteceram dissiparam-se tão rápido como vieram. Talvez a prova que precisava para perceber que o caminho é este.

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