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(+) Uma maluca que julga ter juízo

Desabafos e bocados do que vou (vi)vendo...

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Dia 3

Segunda feira deixámo-nos ficar na preguiça, não valia a pena correr para conhecer tudo pois sabíamos que iria ser um dia pesado, uma noite longa. A tarde poderia ter sido muito melhor aproveitada, não fosse termo-nos perdido ao ir para o centro da cidade de carro! Mas deu para conhecer os subúrbios e o morro do alemão (ainda que de dentro do carro, cheios de medo, já que sabíamos, um carro daqueles é demasiada ostentação). Chegados a lapa, toca de subir a escadaria Selarom, tirar fotos, perceber o real ambiente carioca (e as privações que grande parte da população tem) ouvir o verdadeiro samba, e a T. levar com um f.v.n.i. (fruto voador não identificado) que caiu da árvore e bateu no braço no preciso momento em que passamos; uma nódoa negra pró resto da viagem.
Entrámos no carro, directos ao restaurante Garota da Urca, com uma vista divinal onde várias postas de picanha foram devoradas em meros minutos.
Regressámos a casa e começamos os preparativos para o momento em que eu, apesar de tudo, não acreditava que estava para acontecer. De táxi, seguimos até à Marquês de Sapucaí, levantamos os bilhetes após alguma procura, fomos tomar a bela da caipirinha antes da festa, ouvir o pagodinho que se havia formado frente ao boteco bola 8, se a memória não me falha, e entrar no sector 10. Devo dizer que mal me sentei as lágrimas apareceram. Foi surreal saber que estava mesmo ali. A vista da apoteose com a favela atrás, por estranho que pareça, era linda! Aquela imagem ficará para sempre no meu coração. E depois de hora e meia de espera, onde compramos o nosso quilo de frutas de forma inusitada, ouço a ser apresentada a São Clemente. A partir daí foi cantar os samba enredos em conjunto com quem sabia, perceber que a visão era muito melhor que eu imaginava, ter o primeiro impacto do que é um desfile destas escolas de samba. Escusado será dizer que nunca, jamais, em tempo algum, vou conseguir voltar a apreciar um carnaval em Portugal onde o conceito seja a tentativa irritante de imitar estes. Estamos a anos-luz de distância. Enfim. Com tempos de intervalo que mal deram para recuperar da escola que tinha acabado de passar, começou uma das escolas que mais ansiava ver. A portela, linda e maravilhosa, com a imponente águia branca mascarada de Cristo redentor, toda a marquês a cantar e acompanhar a bateria, a incentivar e aplaudir a passagem bem-sucedida e a gritar “é campeã” no fim. Foi o verdadeiro espectáculo, é o tipo de sensação que só estando lá para entender. Seguiram-se as escolas Beija-Flor, União da Ilha, Imperatriz Leopoldinense e por fim, Unidos da Tijuca. De apontar que o desfile da União da ilha foi muito bom, rimo-nos muito com o enredo e as alas das escolas, foi o verdadeiro desfile carnavalesco (com a sua branca de neve preta e gordinha). E a unidos da Tijuca… ai a unidos, se há escola de samba que sabe transmitir uma boa energia é essa. Eram 4h da manha quando começaram, eu já tinha estado sentada de olhos fechados durante o desfile da imperatriz, cheguei a adormecer por meros segundos, tal era o cansaço… Mas a meio não resisti, a energia da Tijuca era tal que me levantei e dancei e cantei um pouco mais. Ainda fui brindada pelo milagre da noite, quando o carro alegórico do willy wonka brindou-me com o que gosto de apelidar como “presentinho do céu”, um chocolate. Milagrosamente o canhão disparou um mesmo na minha direcção, era para mim aquele chocolate, sem hipótese de outra pessoa agarrar. Fiquei com um sorriso de orelha a orelha. Quando terminou, a sensação de que as férias não precisavam de mais nada para serem perfeitas tinha-me inundado. Até hoje ainda sei de cor todos os sambas enredos que mais gostei . Durante o táxi até casa só conseguia sentir-me grata por tudo o que estava a viver… só me tinha esquecido que ainda íamos a meio.

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